quarta-feira, 1 de julho de 2009

Palpite infeliz

Desmaiou. Assim, sem mais nem menos. Caiu na nossa frente. Eu e Luma ficamos sem reação por frações de segundos e logo ajudamos a moça. Ela estava pálida e frágil, mas um pouco conciente. Algumas pessoas pararam para olhar, mas ninguém ajudou. A água que eu trazia na mochila a ajudou a acordar, talvez o Sol tenha contribuído. Perguntamos o seu nome, era Liza. Ela agradeceu a ajuda, pegou suas coisas e foi embora. Não tivemos tempo de nos desperdir e ela estava convincentemente bem. Seguimos nosso fluxo e eu passei o caminho pensando naquela moça bebendo água em meu colo. Para onde será que ela estava indo?
Á noite, Luma e eu combinamos de irmos ao cinema. Namorávamos há 8 meses, mas não me lembro de tê-la pedido em namoro. Tal fato não fazia diferença á mim, creio que á ela também não. Fomos assistir "Lisbela e o Prisioneiro" e eu me imaginei fazendo aquelas loucuras por amor á alguém, algum dia. Mas e Liza? Sinceramente, não me imaginava daqui á um tempo com ela. Talvez por puro pessimismo. Ou por sentir que ela vivesse num mundinho pasárgado. Enquanto eu o buscava. Depois de deixá-la em casa, peguei um ônibus e ao seguir o fluxo pensei que mais cedo poderia tê-lo quebrado. Remar contra a maré não é algo que se planeja, é inesperado. Mas o que será que me segurou? O que me impediu de ir atrás daquela moça e descobrir o que ela escondia? Sim, para mim ela escondia algo. Nunca me vi tão pensativo e desconfiado. Sentia vontade de mudar algo em minha vida. Mudar de pessoa por uns instantes, metamorfosear. Desci do ônibus e ao chegar em casa ouvi repetidas vezes a música Yesterday, dos Beatles, minha preferida. Não precisou de tanto tempo para descobrir que fazia total sentido em minha situação. Até porque já passavam da meia noite. Senti no momento uma leveza na alma, uma refrigeração. Sensações essas que me faziam bem. Diante de toda sensibilidade lembrei de quando tocava piano, senti saudade por um instante. E olhando pela janela pensei: ''A Lua traria ela para mim, só para mim.''
No dia seguinte já estava menos utópico, mas ainda assustado com tantos sentimentos desalinhados. Não sabia mais o que sentia por Liza, mas se antes era distante agora a vontade de ser ainda mais, me estranhava. A menina com rostinho de princesa que passou 5 anos ao meu lado, desda 7 ª série era como uma desconhecida. Eu era um desconhecido para mim mesmo, mas no momento não queria me conhecer, posso apresentar-me depois. O que me interessava era descobrir o que aquela mulher de estilo despojado me despertara. Se olhos de cor castanho triste me deixavam com vontade de descobrí-la. Mas um véu a separava de tudo ou somente de mim.
Dias sem pensar em outra pessoa, mas sendo eu o mesmo. Liza estava doente e eu havia combinado de passar na casa dela depois, mas a necessidade de sentir Luma novamente perante mim bateu mais forte e eu a esperei no mesmo lugar que havíamos nos esbarrado. Não iria esquecer nunca aquela estreita calçada que havia ampliado meu campo sentimental provocando efeitos de intenso sentimentalismo. Em outras palavras, o amor. Aquilo que muitos falavam, mas poucos possuiam. Esperei não muito tempo, logo vinha a menina que eu via como mulher, a morena que eu via como noite. Passou por mim assustada, com a mesma expressão da semana anterior, mas eu a interrompi, mudando seu natural destino. Assim como ela mudara o meu, dias atrás. Perguntei como estava. A moça de expressão defensiva disse que estava atrazada e eu a deixei ir, para sempre.
Na vida temos poucas segundas chances, eu desperdicei as únicas oportunidades que a vida havia me dado para conhecê-la, talvez tê-la. E o que me restava não era muita coisa. Só um sentimento amargo e a lembrança daquilo que podia ter acontecido, podia ter sido. Esses casos dão grandes histórias de amor, pena essa não ser mais uma. Palpite.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Á procura da felicidade

Ele se chama José. Não, talvez João. Dois nomes comuns, populares. Sobrenome? Ah, não dirá muita coisa. Morava no campo. Pacato demais? Tá, na cidade. Talvez ele fosse apaixonado por alguém. O que levaria você a supor que essa seria mais uma história de amor. Aquela do camponês pobre e da pobre menina rica? Ou de qualquer outro impedimento. Não importa. Não faz diferença. Para você pode ser em pleno século XXI ou em 1820. Pode ser na China ou na Itália. Será que faria diferença se ele fosse metalúrgico e ela empresária? E se ela pertencesse a uma tribo e ele fosse piloto? Advogado, talvez. O que você espera, o que você procura? Algo que te surpreenda, provavelmente.
Então vamos lá. O tal João é apaixonado pela paisagista e ela por ele. Como todo amor correspondido, eles se casam e vivem uma vida corrida do dia-a-dia, mas ao mesmo tempo prazerosa. Isso soa estranho, não? Não tem nenhuma intriga, briga, desavença, distância, amor proibido, assassinato ou uma 3ª pessoa interessada em destruí-los. Chega a ser frustrante. Não é isso que as pessoas de fora procuram. Será que a felicidade dos outros incomoda? Por que é bom vermos as maldades que são feitas?  E, no final, como de costume todos os problemas acabam e finalmente todos ganham suas recompensas. Isso também pode ser frustrante, quando você volta pra si e vê que  continua no mesmo lugar de antes. Talvez numa livraria, talvez vendo o final da novela ou na frente do seu computador. Não importa. Você continua igual, com a mesma calça jeans surrada ou a gravata oprimante. Alguns com mais esperanças que outros. Alguns decepcionados e outros até sonhadores.
É isso que você procura? A sua felicidade? O seu amor eterno? A sua liberdade? Então vá buscá-la. Corra atrás dela, literalmente. Não procure motivos para desistir e nem para sonhar. Não busque histórias de pessoas com nomes diferentes, que moram em cidade estranhas e têm problemas maiores que os seus para você se contentar com o que tem. Não viaje para 1820 ou para 2020. Ah, e não se esqueça: Viva!