sexta-feira, 13 de maio de 2011

Enclausurado

Mas eu fico nesse quarto
trancado, exilado, alienado
enquanto o mundo
corre entre os semáforos apagados

Ainda fico guardado nessa caixa
que me afaga, enforca, mata, afoga
num surto de dores entre os podres
numa boca que te beija e escarra

Enquanto eu finjo nesse mundo
de passagem num forte dos fortes
entre os muros dos feudos num susto de vozes
que sussurram o odio existente. inerente dos torpes!

terça-feira, 10 de maio de 2011

Sanctus Secretum

Esse meu amor insano
Sofrido, calado, profano
Te busca com um olhar

Meu coração palpita,
E num grande soluçar
Grita aos surdos o infinito particular

Nos mares por onde andei
Busquei encontrar
Querendo seu amor em alto mar

Entre as matas mais vastas,
As flores mais cálidas,
Sangro de frio e mágoas


Entre o pecado e o sagrado
Esse amor com o qual te amo
Te coloca em um altar

Venha consumir-me,
Quero fugir de todo caos
Torne-me sua, me dê prazer
Livre-me de todo mal

sábado, 10 de julho de 2010

Jogado no ralo

escrevo uns versos que depois rasgo,
despeço-me, despedaço-me
entre mil folhados
sou tudo aquilo que você quiser ouvir
e sentir

o meu paradeiro: entre a tinta e o papel
o meu silêncio: entre o frio e o soluço

e a cada despedida, o asfalto me é tirado
a cada tentativa de itinerário
rabisco o que sou,
o que tenho,
e o que não posso ser.

domingo, 20 de junho de 2010

Sagrada verdade


O que realmente está para ser alcançado é mudar o modo como as pessoas pensam, em outras palavras mais populares: mudar o mundo. Dependendo da época, isso poderia significar uma revolução, falta de conservadorismo, insanidade, uma heresia ou para os que não têm nada a dizer, simplesmente se intrometer no modo como as pessoas seguem sua vida.  Como todos os atos têm suas consequências, esses seriam de acordo com o sistema político e social da ocasião, que teriam como resultados: morrer na guilhotina, ser crucificado, enforcado, apedrejado, torturado, ou que estivesse mais na moda. A conseqüência no final é sempre a mesma: você morre de modo humilhante enquanto todos gritam seu nome dizendo o quanto você é insano, derrotado e contra tudo aquilo que eles chamam de correto.
O que as pessoas não percebem no final das contas é que elas ficaram obedecendo à um sistema corrompido, bancando cortes e planaltos, servindo de fantoches em espetáculos feito de artistas sem arte vulgarmente chamados de cidadãos. Enquanto isso, se apavoram com escândalos de pedofilia na sagrada igreja católica, em como os políticos roubam, da desestruturada educação oferecida à população, aos famintos no meio do mundo. Ainda há aqueles que se escandalizam com a hegemonia americana, com o casamento fracassado, com a puta da esquina, com o lixo que não se recicla, com as mães que abandonam os filhos, roubos, mortes, torturas, apedrejamentos. Nisso,  tudo volta outra vez como um ciclo vicioso. Ninguém resolve, ninguém ajuda a resolver e ninguém quer.  Os que quiseram já foram mortos e sobraram somente pessoas para contarem histórias e não para colocá-las em prática.
Esses que são tão obedientes obcecados pelo conservadorismo do passado, deviam se enojar da História que foi criada. Desde sempre foram desrespeitados por aqueles que souberam somente explorar suas forças de trabalho, seus corpos, aproveitando-se de suas ignorâncias para imporem dogmas conceituados de pura blasfêmia. Desde a antiguidade, livros são queimados, verdades são escondidas, ideias são tituladas como loucura de ébrios em suas tavernas e assim a humanidade vai progredindo com sua filosofia errante. Enquanto alguns tentam mudar o mundo, suas pessoas, seus sistemas e suas verdades incontestáveis julgadas por suas justiças. Sendo assim, o que nos resta é reconstruir o modo como as pessoas pensam para que possamos alcançar algo melhor como futuro, para escrevermos histórias com orgulho de serem lidas. Não de povos heróicos, pátrias ensolaradas por sois fulgidos ou algo mais utópico, mas sim de uma sociedade consciente e crítica o suficiente para defender seu próprio interesse ao invés de observar um horizonte cada vez mais distante ás margens do Ipiranga.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Robotizante

Não me acho o melhor dos vivos,
Dos mortos, devo ser o pior
Entre cada esconderijo obscuro
Quebro meus tetos, rasgo minhas flores,
Prendo-me em sua raiz

A cada cidade, bebo do seu solo,
Engulo o suspiro como num ato de coragem

Em minha vida inexistente
Brando todo o meu sangue
Pálido e incolor

Como se a virtude fosse viver mortamente

terça-feira, 15 de junho de 2010

Voz ativa

"Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu" - Como diz Chico Buarque, há dias que você é simplesmente ausente de todas as suas atividades ou sua opinião é simplesmente indiferente, desconhecida. Suponho que não seja somente isso. Por indiferença as pessoas desconhecem. Talvez seja culpa das grandes atividades realizadas ou elas estão simplesmente ausentes do mundo. O fato é que é muito mais fácil não perceber algo que está bem à sua frente, ignorar um problema que não é tão fácil de ser resolvido. Assim, se fazendo de mortos, cuidam de suas famílias, criam seus filhos, ganham seus salários e até mesmo pagam seus impostos. Cidadãos que efetivamente partiram ou morreram não são ninguém mais que uma fotografia no quarto ou uma carta mofada.
O que seria da sociedade se todos se intressassem por questões sociais? Metade dos problemas estariam resolvidos, obviamente. Mas o ser humano é egoísta por natureza. Individualmente, sempre buscou aquilo que é melhor para si, nem mesmo num país socialista a situação era diferente, até porque tem sempre um querendo passar a sua frente. Desse modo, ficam um do lado do outro sem nenhuma união presente. O que nos falta é muito mais do que solidariedade, precisamos de inteligência. Nada que aprendemos nas escolas, nada que nossos pais possam nos ensinar. É uma questão de reflexão. 
No entanto, a reflexão não seria a mesma por todas as pessoas, já que temos determinadas culturas, religiões, famílias, genes. Poderia até mesmo uma só pessoa ter várias. Mesmo assim, de algum modo, todos chegariam a um mesmo objetivo. Não podemos simplesmente ignorar o problema alheio, a vida da outra família, a dificuldade do outro país. A pobreza, a desigualdade, o racismo, o preconceito, o analfabetismo e todos os males que você puder pensar que existe e juntar com aqueles que desconhece, são problemas de todos. Digo todos pois de uma forma ou de outra isso vai lhe afetar. Seja você pobre ou rico, público ou desconhecido. Não importa onde você esteja nem o quanto você tem, de uma forma ou de outra vão  lhe afetar. É muito mais fácil colocar a culpa no Estado que não usa o dinheiro o público adequadamente, mas quem colocou aqueles homens em seus lugares foi você, como um utúpico cidadão honesto. A nação está nas mãos de cada um, não pense que é uma parcela pequena, já que a consequência é grande e perdidamente eficaz. Sejamos nós existentes. Honremos o ar que respiramos ou viveremos eternamente em constante agonia

domingo, 17 de janeiro de 2010

Escrevo cartas para ninguém
Surtos de um estranho em mim
Num piscar de olhos brinco de ser feliz.

Incrivelmente vivo,
Vivo o impossível
Um paraíso de estrelas
Nuvem de textura doce,
Com aroma cítrico no ar.
Pintado de cores vivas
Pincelado por artistas gregos
Sem mãos, sem corpo
Sem perfeição
Com alma, sem vida.
Fujo do meu abrigo,
Encontro-me no castigo
Amargo e desprotegido
Perverso, despretensioso
Com alma de lobo
Desisto desse constante,
Universo robotizante
Afogo-me no meu mar,
Caio no cosmos particular
No solitário castelo
Que vive sem brilhar,

Um imenso subterrâneo,
num infinito lacrimejar