quarta-feira, 26 de outubro de 2011
sexta-feira, 29 de julho de 2011
QUANTO VALE O AMOR?
“Um grande amor só se cura com outro grande amor”, diria um psicanalista amoroso desses que têm resposta para tudo. Depois que comecei a ler esses livros estou à cada dia mais convencido que o amor pode ser dominado pela mente, basta ter concentração e determinação.
Por viver o que vivo, passar o que eu passo e agüentar aquilo que a vida me manda agüentar, hoje posso garantir que a vida se resume em muitas idealizações altamente utópicas, dessas que só servem para vender nos comerciais de TV e fazer você pensar que um dia vai melhorar, mas quando irá chegar?
Sei que minhas rimas soam melodramáticas e deixam repetidamente nas mentes frases que podem deixar a vida cinza para alguns, porém real. Um dia eu descobrirei porque as pessoas têm tanta dificuldade de se contentarem de que tudo vai dar errado, alias, esse é um dos aprendizes que eu guardo para a minha vida: Tudo vai dar errado, por mais que você programe o perfeito. Pode parecer estranho, mas eu mesmo já parei pra pensar se eu não estaria sendo pessimista demais e que talvez os progressos da minha vida não fossem tão prósperos por conta desse pensamento retardatário. Mas parei com toda essa linha de pensamento que não me levaria a lugar nenhum, só a ilusão, desilusão e decepção de tudo.
Voltando ao amor, eu estava dizendo que ele é um sentimento muito perigoso, mas só se a pessoa deixar se levar por ele. Antes de se render a um suposto amor, me vem uma pergunta peculiar: O que é o amor? Seria aquele que faz você cair de desejos por alguém? Ou aquele que enche de pureza o coração e te torna uma pessoa melhor? Há pessoas que acham que o amor pode até salvar alguém. Só garanto que se por acaso um dia eu estiver me afogando ou algo do tipo, por favor, esqueçam o amor e me salvem. Soa irônico, pois logo vem outra pergunta: O que faria você salvar alguém se não fosse o amor? Estaria eu confundindo os sentimentos? Ou o mundo manipula todos eles. Sim, pois se ninguém nunca reparou o dia dos namorados não serve só para você comprar um presente caro para o seu amado, ele principalmente, enriquece o capitalismo. Mas quem pensa em capitalismo quando se está amando? O amor rejuvenesce, enobrece, purifica, amadurece, transforma o ser humano em algo que ele nunca imaginou ser e não adianta vir com esse papo de capitalismo enquanto o mundo aproveita o dinheiro dos cidadãos, o casal janta num lugar romântico trocando carícias e presentes e flores e surpresas e pagando motéis caros. Quem sai ganhando nessa grande jogada de marketing? Eu. Sim, pois eu é que não saio por ai investindo meu dinheiro nesse mundo podre em que vivemos, muito menos para esses amores que nada me fazem sentir. Como eu disse anteriormente, tenho o dom de não amar, de saber não amar. O amor é para tolos, pois sentem o que não conhecem, ou melhor, dizem que sentem. Espalham pelos quatro ventos que sabem amar, que morrem por amor e as vezes morrem mesmo. Mas que diabos de sentimento é esse cujo final nunca é o que a sociedade mais idealiza: o final feliz. Quando eu digo que o amor é um estrago na sua vida, é porque tudo faz sentido, uma coisa alimenta a outra. Talvez o que falta num ser humano é o conhecimento do que realmente é o amor. Não precisamos estudar grandes filósofos para descobrir, só precisamos refletir sobre a nossa sociedade, sobre o modo que realmente é e não como você gostaria que fosse. Por eles não se importam com a sua opinião, mas sim se você está pagando por ela e quanto. Quando vale o amor? Chega a valer a vida? E quanto vale dois amores? Chega a valer duas vidas ou é “leve um, pague dois?”. Até nisso você sai perdendo, no final dá tudo sempre errado: você paga duas vidas por um suposto amor. Aproveite a promoção.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Inútil dormir que a dor não passa
“A tristeza é senhora desde que o samba é samba é assim”. Desde os tempos de Bach, desde as liras mais singelas dos anjos a tristeza resplandece no coração dos homens; nas entranhas de sua carne e para casos mais crônicos, sua estampa na pele é subitamente visível. Diríamos, portanto, se tratar de uma dor.
Não uma dor qualquer, muito menos uma doença. A tristeza é um sopro vital, é o que tem de mais verdadeiro em nossa espécie. Animais vivem de matar suas presas para seus sustentos. Nós vivemos fingindo que amamos, que somos felizes, que triunfamos em alguma batalha; vivemos de orgulho, de vaidade, de medo e se não fosse tudo isso, não estaríamos vivos.
A questão é que fingem uma vida que se segue na condição de fingir-se. Quem possui a tristeza dentro de si, cuide-a para que não se vá. Ela é a nudez do mundo e de suas relações superficiais. Ela nos traz a sensação de pureza, de que algo é realmente verdadeiro por si só. Ela possui sensibilidade que jamais poderias sentir. Não causa pena, pois não tem essa consciência em seu coração. Mas é capaz de sentir profundamente o que realmente significa amar. Não somente o amor platônico, mas também aquele que nunca se vai.
A tristeza, em sua estadia permanente, se acomoda em seu interior e faz com que ele bata o bastante para ser escutado e faz seu corpo tremer para que esse não se esqueça de quem o possui. Enquanto isso você pára. Escutas teu coração que possui nele algo que jamais o enganará. Ah! A tristeza é tão astuta, mas não chega a ser perversa. Só faz tuas mãos se fecharem, pois o tremor as adormece. E isso tudo só para que tu pares de viver com os outros órgãos e ouça somente um, que te suplica o mínimo de veracidade na tua vida. E tu o escutas. Para isso, tu fechas teus olhos para que os batimentos soem aos teus ouvidos interna e externamente. E tu o escutas melhor, pois se concentras em um só acontecimento. Nada o distrai. Nada o destrói. Tu somente vive pela primeira vez a experiência de existir e não ser somente um inacabado no meio de tantos.
Esses que dizem que vivem, que amam, que compram e vendem suas vidas e dizem que a possui. E tu só o escutas. Porque a tristeza o possui e esse é seu sopro vital.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Só eu vejo o mundo com meus olhos. Numa cor monocromática, numa onda sonora engarrafada de alma negativa. São todos bastardos de si, filhos do mundo, escravos de um sistema. Andam nas ruas com o coração batendo, pedindo pra sair de um ambiente hostil – uma hemorragia oxidante. Amplificando o som e a cena, vejo uma massa corpulenta mexendo-se nas ruas em direção ao ser desconhecido, buscando algo que será perdido. O que se tem na vida, é o que se vai. Comprando e errando. Caindo. Voltando e comprando de novo. É isso que o sistema faz. Um ciclo que te aponta o dedo do descontentamento, baixando a auto-estima. Essa que nunca existira.
Assim você caminha na rua. Onde todos te olham, mas não reparam na sua existência. Só vêm a sua sombra ou a mancha preta que seu paletó faz. Nada mais. Se te esbarram pedem desculpas e enquanto eu espero o ônibus observo. Viro-me para olhar o resto das pessoas no ponto. Fazem cara de preocupadas, paisagens, falam aos celulares. Não importam, fazem tudo menos perceberem meu olhar analítico. Se me vêm sem querer, disfarço. Nem sempre. Às vezes não quero disfarçar, olho. Simplesmente olho, sem maiores expectativas. Olho nos olhos, reparo suas dores, não as curo. Sigo até suas lágrimas escondidas e controladas por uma película. É isso que a vida faz. Acorrenta-te e te apazigua as dores, mesmo sendo a manifestadora delas. Num lugar onde não existem ambientes propícios aos problemas da sua alma. Aos soluços do seu prato. Aos soluços das mágoas.
Enquanto isso continuo andando. Até ver um poeta caminhando. Eu paro para observá-lo e vejo ele cantar, escuto o seu olhar e simplesmente sei que ele procura um planeta onde seu choro seja ouvido, suas lágrimas manifestadas e sua dor exibida como numa vitrine. Ele sangra, mas nem todos vêm a cor de seu sangue. Por isso eu passo de cabeça baixa. O poeta não se pode olhar. Pois todos ao lhe ver chorariam com ele. Eu, meramente, faço parte de um mundo que jais no abismo.
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Eu fujo do mundo
num surto de cegos
surtado e leigo
num infindo negro
procuro o acaso
busco incansável
a dádiva do dia
um ópio, uma alforria
um ciclo, a disritmia
de uma retina pagã
com sua alma incurável
de torpes ganancias
tudo que se tem é nada
o que lhe resta é pó
o véu que lhe cerra os olhos
o veneno que lhe dopa
da serpente que acorda
tudo é findo
ilúcido, cru
tudo é a vida que se tem
num clarão luminoso
num surto de cegos
num surto de cegos
surtado e leigo
num infindo negro
procuro o acaso
busco incansável
a dádiva do dia
um ópio, uma alforria
um ciclo, a disritmia
de uma retina pagã
com sua alma incurável
de torpes ganancias
tudo que se tem é nada
o que lhe resta é pó
o véu que lhe cerra os olhos
o veneno que lhe dopa
da serpente que acorda
tudo é findo
ilúcido, cru
tudo é a vida que se tem
num clarão luminoso
num surto de cegos
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