sexta-feira, 17 de junho de 2011

Eu fujo do mundo
num surto de cegos
surtado e leigo
num infindo negro

procuro o acaso
busco incansável
a dádiva do dia
um ópio, uma alforria
um ciclo, a disritmia

de uma retina pagã
com sua alma incurável
de torpes ganancias
tudo que se tem é nada
o que lhe resta é pó
o véu que lhe cerra os olhos
o veneno que lhe dopa
da serpente que acorda

tudo é findo
ilúcido, cru
tudo é a vida que se tem
num clarão luminoso
num surto de cegos

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Opróbrios

A razão tocou-me a porta,
a inconsciencia não atendeu,
o surdo gritou na rua vazia,
o amor gemeu.
enquanto no calor da noite,
o esquizofrenico respondeu:
na ausência dos presentes

Serviu

De hoje em diante
serei escravo de mim mesmo
servindo-me e educando-me
sujando-me e pagando-me

Serei um não-vivo alienado
que gosta da forca, da força
que custa o que custar
não viverá

De ontem em diante
serei o que tiver de ser
fui o que tive de fazer
suando entre os poros do porão
vagando no meio da escuridão

Enclausurado

Mas eu fico nesse quarto
trancado, exilado, alienado
enquanto o mundo
corre entre os semáforos apagados

Ainda fico guardado nessa caixa
que me afaga, enforca, mata, afoga
num surto de dores entre os podres
numa boca que te beija e escarra

Enquanto eu finjo nesse mundo
de passagem num forte dos fortes
entre os muros dos feudos num susto de vozes
que sussurram o odio existente. inerente dos torpes!

terça-feira, 10 de maio de 2011

Sanctus Secretum

Esse meu amor insano
Sofrido, calado, profano
Te busca com um olhar

Meu coração palpita,
E num grande soluçar
Grita aos surdos o infinito particular

Nos mares por onde andei
Busquei encontrar
Querendo seu amor em alto mar

Entre as matas mais vastas,
As flores mais cálidas,
Sangro de frio e mágoas


Entre o pecado e o sagrado
Esse amor com o qual te amo
Te coloca em um altar

Venha consumir-me,
Quero fugir de todo caos
Torne-me sua, me dê prazer
Livre-me de todo mal

sábado, 10 de julho de 2010

Jogado no ralo

escrevo uns versos que depois rasgo,
despeço-me, despedaço-me
entre mil folhados
sou tudo aquilo que você quiser ouvir
e sentir

o meu paradeiro: entre a tinta e o papel
o meu silêncio: entre o frio e o soluço

e a cada despedida, o asfalto me é tirado
a cada tentativa de itinerário
rabisco o que sou,
o que tenho,
e o que não posso ser.

domingo, 20 de junho de 2010

Sagrada verdade


O que realmente está para ser alcançado é mudar o modo como as pessoas pensam, em outras palavras mais populares: mudar o mundo. Dependendo da época, isso poderia significar uma revolução, falta de conservadorismo, insanidade, uma heresia ou para os que não têm nada a dizer, simplesmente se intrometer no modo como as pessoas seguem sua vida.  Como todos os atos têm suas consequências, esses seriam de acordo com o sistema político e social da ocasião, que teriam como resultados: morrer na guilhotina, ser crucificado, enforcado, apedrejado, torturado, ou que estivesse mais na moda. A conseqüência no final é sempre a mesma: você morre de modo humilhante enquanto todos gritam seu nome dizendo o quanto você é insano, derrotado e contra tudo aquilo que eles chamam de correto.
O que as pessoas não percebem no final das contas é que elas ficaram obedecendo à um sistema corrompido, bancando cortes e planaltos, servindo de fantoches em espetáculos feito de artistas sem arte vulgarmente chamados de cidadãos. Enquanto isso, se apavoram com escândalos de pedofilia na sagrada igreja católica, em como os políticos roubam, da desestruturada educação oferecida à população, aos famintos no meio do mundo. Ainda há aqueles que se escandalizam com a hegemonia americana, com o casamento fracassado, com a puta da esquina, com o lixo que não se recicla, com as mães que abandonam os filhos, roubos, mortes, torturas, apedrejamentos. Nisso,  tudo volta outra vez como um ciclo vicioso. Ninguém resolve, ninguém ajuda a resolver e ninguém quer.  Os que quiseram já foram mortos e sobraram somente pessoas para contarem histórias e não para colocá-las em prática.
Esses que são tão obedientes obcecados pelo conservadorismo do passado, deviam se enojar da História que foi criada. Desde sempre foram desrespeitados por aqueles que souberam somente explorar suas forças de trabalho, seus corpos, aproveitando-se de suas ignorâncias para imporem dogmas conceituados de pura blasfêmia. Desde a antiguidade, livros são queimados, verdades são escondidas, ideias são tituladas como loucura de ébrios em suas tavernas e assim a humanidade vai progredindo com sua filosofia errante. Enquanto alguns tentam mudar o mundo, suas pessoas, seus sistemas e suas verdades incontestáveis julgadas por suas justiças. Sendo assim, o que nos resta é reconstruir o modo como as pessoas pensam para que possamos alcançar algo melhor como futuro, para escrevermos histórias com orgulho de serem lidas. Não de povos heróicos, pátrias ensolaradas por sois fulgidos ou algo mais utópico, mas sim de uma sociedade consciente e crítica o suficiente para defender seu próprio interesse ao invés de observar um horizonte cada vez mais distante ás margens do Ipiranga.